domingo, 21 de março de 2010

Chlau Deveza 1

José Chlau Deveza nasceu no Rio de Janeiro em 1922, onde viveu a maior parte de sua vida. Desde pequeno já observava seu pai, Raul Deveza pintando, desenhando, etc. Decidiu-se por seguir a mesma carreira do pai e cursou a faculdade de Belas-artes da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.
Em 1944, a Ditadura Vargas, enfim  se dobraria as inúmeras manifestações dos democratas brasileiros, romperia definitivamente com o governo alemão, e junto com as forças aliadas (URSS, EUA e Inglaterra), enviaria tropas brasileiras para lutar na 2ª Guerra Mundial. Dodô, como é conhecido na família o professor Chlau Deveza, tinha apenas 22 anos, e teve seu nome listado entre os convocados para lutar contra os fascistas na Itália
Nesse tempo, as campanhas anti-fascistas eram agitadas principalmente pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), Chlau e Raul Deveza, simpáticos ao comunismo, engajaram-se nas campanhas que pediam a entrada do Brasil na Guerra.
Por sorte, ou por azar, como contaria anos depois, o Dodô acabou pegando o excesso de contingente e não foi enviado para a fronte de batalha na Itália. Muitos brasileiros se alistaram voluntariamente, muitos democratas e anti-fascistas desejaram compor a Força Expedicionária Brasileira (FEB), tantos, que ao final tinha-se mais voluntários que o necessário. Logo a Guerra seria vencida pelos Aliados e o Exército Vermelho, em agosto de 1945 hastearia a bandeira vermelha sobre o Reichtag, selando o fim da 2ª Guerra Mundial. Com isso, os comunistas no mundo conquistariam um enorme prestígio, Luis Carlos Prestes (preso desde 1936) seria anistiado junto com outros comunistas, o PCB seria legalizado e os comunistas viveriam um interregno democrático até 1947.
Por volta deste período, Chlau Deveza fará as opções que carregará para o resto de sua vida. Primeiro, junto com seu pai, se engajará definitivamente nas fileiras do Partido Comunista, fará dezenas de retratos de Lenin, Stalin, Prestes e de vários outros dirigentes comunistas, afim de contribuir como artista na propaganda  comunista. Lembremos que nessa época não existia a tecnologia gráfica que existe hoje. Um retrato, ou um cartaz, muuitas vezes necessitava ser feito por artistas plásticos. A própria fotografia tinha limitações quanto a sua ampliação. Sua atividade política estará principalmente nas campanhas estudantis na Universidade do Brasil.
Nesse tempo, conhece uma jovem estudante de arquitetura, judia e comunista, Etel Waismann. Encanta-se com a sua altivez e ousadia. Passa os últimos anos do curso de belas artes entre as aulas de Belas Artes , sua nova namorada e as atividades políticas do PCB.

Embora perseguidos durante a década de 30 pelo Estado Novo, entre 1945 e 1950 os comunistas passam a apoiar Getúlio Vargas, que nesse tempo parecia inclinado a uma perspectiva mais nacionalista. O ditador, com destreza, depois de isolado entre as elites no final da Guerra, buscou entre as forças populares e a burocracia estatal um apoio para uma nova candidatura à presidência. Conseguiu, em 1950, após a presidência de Dutra, Getúlio voltaria ao poder, mas dessa vez aprovaria algumas medidas populares. Entre elas, decretaria o monopólio do Petróleo e a criação da Petrobras.
A exploração nacional do Petróleo brasileiro, após a 2° Guerra Mundial, foi motivo de intensas manifestações populares, sob a palavra de ordem “O Petróleo é Nosso!”.
Etel Waismann, ainda estudante de arquitetura jamais esqueceria uma de suas maiores aventuras da juventude. Enquanto inúmeros democratas organizavam uma manifestação de defesa do Petróleo, o governo Dutra enviou a tropa de choque. A correria foi enorme e a lembrança de Etel registraria o momento em que seu namorado e seu futuro sogro pegariam a sua mão e correriam em busca de proteção contra a polícia.
Ao final da década de 40, Chlau Deveza participaria de reuniões do PCB ao lado de importantes figuras das artes no Brasil, conforme nos é narrado em uma biografia de Paulo Werneck por Cláudia Saldanha.
“Seu ateliê [do Muralista Paulo Werneck, ]em Laranjeiras, um abrigo antiaéreo no subsolo de um prédio em Laranjeiras construído em 1945, durante o curto espaço de tempo em que foram obrigatórios tais abrigos em edifícios familiares, era ponto de encontro de artistas filiados ao Partido Comunista Brasileiro. Ali Cândido Portinari, Carlos Scliar, Chlau Deveza, Glauco Rodrigues, Israel Pedrosa e Oscar Niemeyer, entre outros, participavam de reuniões em que se discutiam a arte, a arquitetura e a política nacional e internacional.” (www.projetopaulowerneck.com.br)
Ao final dos anos 40 sua companheira Etel Waismann se tornaria sua esposa, e em 1949, teriam seu primeiro filho, Michael Deveza. O casamento de Etel Waismann e Chlau Deveza seria conturbado, pois por tradição, a comunidade judaica não aceitava que os judeus casassem com não-judeus, ainda mais com um ateu como o Dodô, já reconhecido artista ligado ao PCB. Afeita a rebeldia, Etel e Chlau enfrentaram a tradição, se negariam a oficializar sua união em qualquer religião e casaram-se apenas no cartório.
Por essa época, Chlau Deveza e seu pai seriam presos após uma pichação política. Os dois, mais outros militantes comunistas foram presos e encarcerados. Logo sua prisão virou notícia e os advogados do PCB começaram a interceder pela libertação dos comunistas. Como Raul Deveza já era reconhecido como um artista plástico importante, os órgãos de repressão decidiram soltá-lo, junto de seu filho. Raul se negou a aceitar o indulto enquanto seus outros companheiros não tivessem o mesmo destino. Pouco depois conquistariam a liberdade ao lado de todos seus companheiros.
Etel Waismann, agora Etel Waismann Deveza, como uma boa Idish mama (Mãe judia), diminuiria sua participação no PCB e se dedicaria ao sustento da família e a criação dos filhos.
A foto ao lado mostra, Michael Deveza, ao fundo, Marcel Deveza e Ramon Deveza em primeiro plano.

Continua...




segunda-feira, 15 de março de 2010

Origem do nome Deveza 2

Devezada,
Andei pesquisando no Google e no Orkut nossa família e percebi que existem muitos Deveza no Brasil. A Giselle (filha do Michael Deveza) criou há alguns anos uma comunidade no Orkut “Família Deveza” e lá podemos encontrar a origem de alguns Deveza que vieram para o Brasil.
A partir da análise dos locais onde os velhos Deveza informaram para os Deveza da Comunidade, pude traçar no mapa da península Ibérica alguns locais onde existiram membros de nossa família.

Em primeiro lugar Raul Deveza, segundo a Tia Cleuza, veio de Portugal. Creio que do norte, perto da fronteira com a Galiza, região espanhola que reclama independência desde o século XIV, pelo menos. Os Galegos fazem parte de um território, que como os Bascos reclamam autonomia. Possivelmente nossos antepassados eram Galegos e migraram para Portugal. Digo isso pelas informações a seguir, retiradas da comunidade “Família Deveza” do Orkut.
1) Segundo Maristela Otero, sua avó se chamava Manuela Luiz Deveza e morava em Pontevedra Vigo na Espanha.
2) Segundo Vanessa Deveza: “meu avó era Manoel Xavier Deveza e mãe recebeu uma carta dizendo q provavelmente éramos de descendência italiana, mas nunca sabemos de verdade qual a descendência.”
3) Segundo Luana: “Primeiro queria dizer q fiquei muito surpresa quando encontrei essa devezada aki pois por aki onde moro nunca tinha visto ninguém com esse sobrenome.
Meu Deveza é descendente de italiano, não sei dizer muito sobre... só sei isso”
4) Segundo José Deveza: “O meu Avô se chamava José Benito Deveza, minha avó Ludovina Nunes Deveza, (já Falecidos) eram natural da cidade de Vilar de Voz (Galiza/Espanha), vieram para o Brasil jovens e aqui se casaram, desse casamento tiveram 4 filhos, atualmente só 2 estão vivos. O meu pai está atualmente com 84 anos, se chama José Deveza moramos na cidade de Santos”
5) Segundo Lud ღ*εїз*ღ Anna,: “O meu Deveza vem de Portugal Como havia dito, minha família materna veio de Portugal e perdemos o contato com nossos familiares de lá. Sei que minha avó tinha esse sobrenome e que ela era de Santo Tirso, que fica próximo a Espanha.. Mas andei procurando no Google e vi que Devezas tem em montes na França.”
6) Existe um lugar no norte de Portugal que se chama Quinta do DeveSa. Enviei um e- mail para o dono de uma pousada de lá e ele me disse: "Num dicionário de português encontrei isto: - devesa (ê) s. f. 1. Terreno coutado em que há árvores de rendimento e pastos. 2. Lugar cercado por arvoredo, souto.
Simplesmente com o tempo ou talvez com a evolução que as palavras tiveram no Brasil ficou Deveza como o teu nome, em todo o caso naquela fotografia é um terreno coutado (terreno de monte, selvagem) onde existem árvores de rendimento, tipo os sobreiros que lá tem, pois é do Sobreiro que sai a cortiça, por isso são árvores de rendimento, e com pastos cerca, que é o caso, conforme se vê na foto.”

A partir das informações acima, que não são muitas, podemos tirar algumas conclusões sobre a origem do nosso nome Deveza e de onde os que vieram para o Brasil saíram.
Em história, quando não temos informações para afirmar, podemos utilizar um método inverso, buscar o que não é verdadeiro, eliminando mitos. Assim podemos chegar a algumas conclusões e abrir novos caminhos de investigação. Nessa linha, Cheguei às seguintes conclusões:
1) Nossa família teve origem na Península Ibérica, provavelmente na região noroeste, entre Portugal e a Região da Galiza. Assim nossa família é luso-galega.
2) Aqui no Brasil é muito comum as pessoas quererem ter sobrenomes italianos, e até espanhóis, ao invés de portugueses. Deveza não pode ser italiano. A afirmação da Luana no Orkut representa mais a vontade de ser descendente de italianos, do que a realidade. A Itália está longe da Península Ibérica, em um contexto medieval, e devido a tantas evidências e vestígios de nosso nome em Portugal e Galiza, é pouquíssimo provável que Deveza seja italiano. Creio que se fosse, seria Devezza, ou alguma coisa parecida. Em português S e Z tem sons parecidos e por vezes idênticos. É de se imaginar que o DeveZa tenha vindo de algum registro equivocado de DeveSa.
3) DeveZa, por tanto deve ser variante de deveSa, que na língua portuguesa e em galego querem dizer “coisa murada, fortificada”, uma variação de defesa.
4) Pagina eletrônica Quinta da Devesa
http://www.quintadadeveza.com/index.htm
5) Para quem quiser saber mais sobre topônimos Português-galegos:
http://toponimialusitana.blogspot.com/2006/06/nomes-e-apelidos-de-origem-toponmica.html
6) Página sobre vinhos da Quinta da Devesa:
http://www.vinhoverde.pt/en/vinhoverde/boasVinhas/boavinha.asp?codigo=1
7) Fabio Rescalli andou pesquisando o Brasão de nossa família. O site em que ele buscou não tem nenhuma seriedade histórica, é uma grande picaretagem.
http://www.heraldaria.com (Quem quiser, coloca Devesa, que vai encontrar um desenho indicando a origem Galega do nome)
Não se iludam, Este pretenso Brasão é apenas um desenho criado para vender aos coitados que pensam ter sangue azul. Pelo tipo de nome, originário de toponímias comuns na Galiza e Portugal, é claro que descendemos de camponeses, servos ou pobres da região Galego-portuguesa. Então esqueçam essa história de Nobreza e Brasões. E para os que não gostam de descender de Portugueses, lamento desapontá-los,  a região chamada Galiza, que hoje fica na Espanha, ao noroeste da Península, é mais portuguesa que espanhola em sua origem. O idioma Galego é quase igual ao português e é de onde veio a língua portuguesa.
Para finalizar, um pouco de história da região noroeste da Península Ibérica, atuais norte de Portugal e Galiza, de onde provavelmente descendemos:
A região foi povoada pelos antigos Celtas na Idade do Bronze, os mesmos que depois seriam empurrados para a Ilha da Grã Bretanha e Irlanda. Por volta do século IV os romanos conseguem conquistar a região e começa a romanização, Os idiomas Galego e Português derivam do Latim vulgar.
Com a desintegração do Império Romano, a província Romana da Galécia (atual norte de Portugal e Galiza) é invadida pelos Suevos, que fundam um reino (409 a 585 d.C) Os visigodos invadiriam a região posteriormente, que por volta do século VIII seria ocupada pelos mulçumanos, desde o norte da África. A ocupação mulçumana resistiria até a Reconquista Espanhola, deixando apenas a pequena região das Astúrias fora de seus domínios. A presença berbere na Península Ibérica durou 800 anos, terminando somente com a reconquista de Granada em 1942.
Assim, para os racistas de plantão, espanhóis e portugueses, embora tenham um passado Celta, como os Ingleses e Irlandeses, viveram sob domínio bébere (povos do norte da África) durante 800 anos. É de se imaginar que tenham se misturado, e portanto, mesmo portugueses e galegos, tem em seu passado uma profunda miscigenação com os povos africanos.
Devezada, quando lhe perguntarem sua cor ou etnia, diga “misturado”, “pardo”, ou depois de ler este Blogue, apenas: “Celta-Suevo-Visigodo-Galego-Português-Ibérico-Bébere-Africano-Brasileiro”
O mapa acima mostra em verde o domínio bérbere-islâmico na peninsula Ibérica. Notem que nossa família pode ter vindo destes povos africanos que viveram na Península Ibérica por 800 anos.

Um abraço,
Felipe Deveza
Historiador, filho de Ramon Deveza, neto de Etel Waismann e José Chlau Deveza

Foto "Camponesa Russa"



Legenda da Foto:
1-      Etel Waismann Deveza
2-      Quadro que ganhou o Prêmio (Preciso de maiores informações! Marcel, favor me dizer detalhes)
3-      Luis Carlos Prestes, Líder dos comunistas brasileiros, conhecido como o “Cavaleiro da Esperança”
4-      Lenin, Principal teórico e líder do movimento comunista.
5-      Stalin, comunista soviético que liderou a vitória do Exército Vermelho contra as hordas nazistas.
6-      Quadro com o retrato de Raul Deveza
7-      Estátua, provavelmente de uma figura grega que servia para o estudo de desenho aos alunos que freqüentavam o ateliê
8-      Quadro que está na casa de Marcel Deveza
9-      Quadro de alguém, que desconheço
10-    Caixa de um violino, que até onde eu sei é um violino caro que tem uma história interessante.


Essa primeira foto é significativa.
Esse foi um quadro pintado para um concurso pelo meu bisavô Raul Deveza, na década de 40 ou 50. 
Marcel, envie mais dados do quadro!
O interessante é que nesta foto tem o quadro em que minha avó Etel Waismann está posando com uma roupa de camponesa russa.  Nessa época, uma judia, em trajes camponeses do leste europeu já era subversão, mas o mais interessante são os desenhos atrás. Lenin e Stalin,  os dois líderes comunistas soviéticos. Outro quadro, do dirigente comunista, Luis Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, compõe a foto. Obviamente que todos as figuras  foram colocadas ali propositalmente. Essa foto demonstra a filiação ideológica de Raul Deveza. Um dos traços fundamentais de nossa família foi a defesa militante do comunismo, na maior parte do século XX. Em meados do século, muitos artistas aderiram ao comunismo, embalados pela vitória soviética sobre os nazistas e a esperança de um mundo mais justo, igualitário e solidário.
Chlau Deveza foi responsável pela pintura de um retrato gigantesco do astronauta soviético Iuri Gagarin, o primeiro homem a chegar no espaço. O quadro havia sido encomendado pelo governo de Janio Quadros quando o astronauta esteve no Brasil, início da déca de 60. Existe uma foto desse quadro, quando eu encontrar publico aqui.
Me lembro bem das eleições de 1989, que com a saída de Prestes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), este acabou apoiando o PDT de Brizola. O Dodô e a Tia Cleusa seguiram o Prestes e no Ateliê pululavam adesivos brizolistas nos vidros, panfletos e todo tipo de propaganda. Pode ser que alguns não gostem do Brizola, ou mesmo tenham críticas ao PCB e a Prestes, mas é fato que em 1989 o Brizola representou a opção mais progressista nas eleições, talvez ao lado de Lula, embora esse último questionável. 
O PDT dizia que o PT era a esquerda que a direita mais gostava. De certa maneira tinham razão, afinal o Lula acabou aliando-se com os mais direitosos membros das classes dominantes brasileiras, vide José Alencar, Henrique Meirelles, Sarney e por ai vai. De certa meneira, a candidatura de Lula em 1989 dividiu os votos da esquerda e impediu que Brizola vencesse. Se o Brizola tivesse ganho o pleito, talvez fechasse a Rede Globo (ele prometia isso!) e hoje não estaríamos ligando a TV e assistindo aquele lixo televisivo chamado "Big Brother". Isso seria um sonho...
 Para quem não se lembra das eleições de 1989, os outros candidatos eram Mario Covas (PSDB), Enéias, Collor, Gabeira (PV), Afif (PDC), Maluf (PDS), Aureliano Chaves (PFL), outros candidatos sem expressão política e Roberto Freire. Covas foi do partido do Fernando Henrique, nós sabemos no que deu. Roberto Freire era do PCB, roubou o Partido Comunista, desbundou com a queda da URSS e depois formou o ridículo PPS. Enéias, não precisa comentários, é no máximo umvoto de protesto, embora neste quesito perca para o macaco Tião no Rio (candidato mais votado quando o voto era de papel).  Maluf e o candidato do PFL não precisam comentários. Por fim, Collor, que venceu as eleições e todos sabemos o que fez. Se fossemos uma família de Maceió, talvez ainda fosse necessário relembrar quem foi Collor de Melo, eles são meio desmemoriados, mas para nós acho que não é necessário.
Em fim, contei tudo isso para lembrar a todos que os Deveza sempre tiveram do lado progressista, na maioria foram socialistas, e em sintonia com as lutas pela liberdade, justiça, igualdade e democracia. 
Senhores, ser de esquerda é obrigatório em nossa familia! 
E também torcer pelo Flamengo, mas essa é outra história...


Felipe Deveza
Historiador, filho de Ramon Deveza e neto de Etel Waismann Deveza e Chlau Deveza

domingo, 14 de março de 2010

Origem do Nome Deveza

A origem do nosso sobrenome é difícil de precisar, mas mesmo assim, podemos tentar alguns caminhos.
Não existe em nenhum dicionário Deveza com Z, mas deveSa existe.

Segundo o dicionário de Francisco da Silva Bueno de lingua portuguesa, editado em Portugal, temos:
"Alameda que limita um terreno; lugar cercado por arvoredo e com entrada defesa. Passagem.
Assim, devesa tem origem no vocábulo latino defense que significa defesa (no seu sentido próprio e no figurado). Este vocábulo é um substantivo comum que viria a tornar-se topónimo e deste passaria a antropónimo. Chamou-se defesa ou devesa (duas variantes ou formas cognatas da mesma palavra) a uma terra murada, defendida por muro, ou terra de coutada"
No Dicionário Priberam da Língua Portuguesa:
"devesa (ê)
s. f.
1. Terreno coutado em que há árvores de rendimento e pastos.
2. Lugar cercado por arvoredo, souto."

Por outro lado temos diversos lugares em portugal, que levam o nome Devesa, eins um, encontrado no Wikipédia:
"Santa Maria da Devesa é uma freguesia portuguesa do concelho de Castelo de Vide, com 56,36 km² de área e 1 716 habitantes (2001). Densidade: 30,4 hab/km².
Santa Maria da Devesa é a única freguesia urbana do concelho de Castelo de Vide, ocupando a totalidade da vila sede de concelho"
Embora encontremos com relativa facilidade o nome Devesa em Portugal, podemos encontrar também Deveza, na Galiza (Espanha) um local com esse nome. Em contato com alguns Galegos, obtive a seguinte resposta:
"Quanto à consulta sobre o teu apelido (sobrenome), acho que se trata de uma variante de "Devesa", apelido e topónimo muito habitual na Galiza. Há dúzias, se não centenas, de lugares chamados assim um pouco por todo o país. Se procurares num dicionário verás que uma devesa é um termo galego-luso-brasileiro, referido a um terreno arvorado e coutado, tipo tapada. A origem de 99% dos apelidos portugueses é galega, já que, como te disse, foi no nosso país (do qual fazia parte do norte de Portugal) que o português nasceu. Os portugueses não gostam de reconhecer isso, mas é uma verdade histórica irrefutável."
Bem, em conversa com a Tia Cleusa, ela me disse que nosso Bisavô, Raul Deveza era português de nascimento. Como não encontrei Deveza com Z em Portugal, podemos imaginar que nosso Deveza com Z seja, não português, mas galego. Isso não é definitivo e as fronteiras européias durante a Idade Média eram bastante indefinidas. Como antes do século XV não existiam nações como as conhecemos hoje; Galego, Português ou Espanhol são quase a mesma coisa. Com certeza podemos dizer que nossa família teve origem na Península Ibérica.
Então, Português, Espanhol ou Galego fica à gosto do freguês. Pela rebeldia eu optei pela Galiza...

Apresentação


Devezada,
A melhor maneira de mantermos sempre vivos nossos entes queridos, mesmo os que não estejam mais entre nós, é lembrando, lembrando sempre.
Entre os Deveza, ao menos os Deveza daqui do Rio de Janeiro, temos muitas coisas para lembrar, seja do meu bisavô, Raul Deveza, que já virou até nome de rua, seja de outros memoráveis Deveza que fizeram de suas vidas grandes coisas, exemplos e certamente bons causos.
Assim, a fim de que os mais jovens de nossa família, hoje já bastante espalhada, conheçam suas origens e que os mais velhos possam lembrar e nos contar suas histórias, surgiu a idéia deste Blogue.
Conversando com a nossa Prima, que hoje vive em Americana, São Paulo, mais uma vez percebi o interesse pela memória de nossa família. Nesse encontro repentino, para a minha surpresa, lá estava a Tia Cleusa, forte e orgulhosa de seus 85 anos.
Como historiador, eu não podia deixar de perceber quanta história havia na Tia Cleusa. Histórias que em menos de meia hora ela foi me revelando e que eu mal conhecia.
Eu tive o prazer de aos 14 anos frequentar com assiduidade o Ateliê do Dodô na Cinco de Julho, ouvir as histórias da Vovó Etel e tantas outras histórias, causos e mesmo, conhecer os quadros do Chlau Deveza (para nós Dodô) e de Raul Deveza (vovô “Aul”)
Pode não ser claro para alguma parte da família, mas ao menos para mim, minha avó Etel, embora Waismann de nascimento, era também Deveza, e de certa maneira, o Tio Maneco, a Tia Tereza e por mais estranho que pareça, a Simone e sua filha Hanna, para mim serão também Deveza.
Assim creio que embora o Blogue se chame Ateliê Deveza, em homenagem ao ateliê do Dodô, os Waismann e outras famílias estarão contempladas aqui. Espero que todos contribuam com histórias, causos, fotos e tudo que puderem enviar para que eu alimente com regularidade o Blogue.
Espero que façamos desse espaço um local para boas recordações e histórias, que se inspirem e inspirem os mais novos e que principalmente não deixem que nossas lembranças se percam.
Mandem as histórias, causos, fotos, e tudo que tiverem ai, que eu coloco no Blogue.
Meu email:
felipedeveza@gmail.com
Felipe Deveza
(Historiador,  filho mais velho de Ramon Deveza, neto de Chlau Deveza e Etel Waismann Deveza)